Jose Gonzalez - Heartbeats
Vai passar...eu sei!
E eu vou cá estar...porque eu não encontro nada mais para fazer!
Vai passar...eu sei!
E eu vou cá estar...porque eu não encontro nada mais para fazer!
Não poderia de deixar de dar o meu parecer, pela escrita de outras pessoas é certo mas que de certo modo vai ao encontro do que julgo ser o que de mais coerente se tem escrito sobre o caso Maddie. Antes de mais, quero deixar aqui a minha profunda esperança, como tantas outras pessoas, no sucesso do caso!
E AO 22.º DIA MADDIE
ENTRE-OS-RIOS E A CASA PIA
Fernanda Câncio
jornalista
Agora vem a mea culpa. Conhecemos o mecanismo, já vimos isto antes. No Reino Unido, o pontapé de saída foi dado no The Guardian, numa coluna em que se qualificou a cobertura mediática do "caso Maddie" como "absurdamente para lá dos limites" e "inacreditavelmente entediante e voyeurista". Em Portugal, num debate com responsáveis dos canais nacionais, Ricardo Costa, director da SIC Notícias, admitiu "algum excesso", mas justificou-se com "a grande pressão". O mesmo ou parecido havia já dito, em resposta ao Guardian, um responsável da BBC, invocando o "interesse do público", que aderiu de forma tão apaixonada que já se fala de "princess Maddie" como sucessora de Diana de Gales.
Quer dizer: nós fazemos, mas os outros também fazem; se nós não fizermos, haverá quem faça; e havendo quem faça, nós temos de fazer. Porque os media são um negócio. E assim, diz-se, a lógica só pode ser essa: "quanto mais audiência melhor". De tal modo que até os que supostamente não são um negócio, como os canais públicos, funcionam de acordo com a mesma regra . É, diz-se, uma questão de sobrevivência empresarial. O problema - sempre foi esse o problema - é saber como compatibilizar os imperativos que advêm da viabilidade financeira dos media com os princípios que devem reger a actividade jornalística. Ou seja, conciliar a sobrevivência da empresa com a sobrevivência do jornalismo.
Quando Alcides Vieira, director de informação da SIC, nega qualquer exagero na cobertura dada pela estação, certificando que "o dever do jornalista às oito da noite é informar sobre o que aconteceu nesse dia, mesmo que não se passe nada", está simultaneamente a dizer uma coisa ridícula e a dar voz, com honestidade, àquilo que se passou em todos os meios durante 20 dias. Encheram-se páginas e páginas, directos e directos, com o caso Maddie, quando nada havia para dizer. Exploraram-se as "pistas" até à obscenidade , aventando teorias e expondo os "suspeitos" de forma inadmissível. Era, achava-se, o que as pessoas "queriam": cavalgar a emoção do primeiro desaparecimento de criança "vivido" à escala global. Claro que não há um único jornalista digno desse nome que não saiba que tudo isto foi profundamente errado e nada parecido com jornalismo, e nos próximos dias não haverá ninguém, jornalista ou não, digno ou não, que não se junte ao coro e não diga, como se disse das outras vezes, de Entre-os-Rios à Casa Pia, que tanta morbidez e sensacionalismo mete nojo. Mas era enquanto durou, e não agora, que está a acabar, que as manifestações de lucidez e temperança mais eram necessárias. É quando o jornalismo está a morrer que precisamos dos jornalistas. E de um público exigente - já agora.|
Enquanto houver amizade...
Rute Coelho **