Não pode estar sempre a chover

segunda-feira, maio 28, 2007

Jose Gonzalez - Heartbeats

Vai passar...eu sei!

E eu vou cá estar...porque eu não encontro nada mais para fazer!

Caso Maddie

Não poderia de deixar de dar o meu parecer, pela escrita de outras pessoas é certo mas que de certo modo vai ao encontro do que julgo ser o que de mais coerente se tem escrito sobre o caso Maddie. Antes de mais, quero deixar aqui a minha profunda esperança, como tantas outras pessoas, no sucesso do caso!


E AO 22.º DIA MADDIE

ENTRE-OS-RIOS E A CASA PIA

Fernanda Câncio
jornalista


Agora vem a mea culpa. Conhecemos o mecanismo, já vimos isto antes. No Reino Unido, o pontapé de saída foi dado no The Guardian, numa coluna em que se qualificou a cobertura mediática do "caso Maddie" como "absurdamente para lá dos limites" e "inacreditavelmente entediante e voyeurista". Em Portugal, num debate com responsáveis dos canais nacionais, Ricardo Costa, director da SIC Notícias, admitiu "algum excesso", mas justificou-se com "a grande pressão". O mesmo ou parecido havia já dito, em resposta ao Guardian, um responsável da BBC, invocando o "interesse do público", que aderiu de forma tão apaixonada que já se fala de "princess Maddie" como sucessora de Diana de Gales.

Quer dizer: nós fazemos, mas os outros também fazem; se nós não fizermos, haverá quem faça; e havendo quem faça, nós temos de fazer. Porque os media são um negócio. E assim, diz-se, a lógica só pode ser essa: "quanto mais audiência melhor". De tal modo que até os que supostamente não são um negócio, como os canais públicos, funcionam de acordo com a mesma regra . É, diz-se, uma questão de sobrevivência empresarial. O problema - sempre foi esse o problema - é saber como compatibilizar os imperativos que advêm da viabilidade financeira dos media com os princípios que devem reger a actividade jornalística. Ou seja, conciliar a sobrevivência da empresa com a sobrevivência do jornalismo.

Quando Alcides Vieira, director de informação da SIC, nega qualquer exagero na cobertura dada pela estação, certificando que "o dever do jornalista às oito da noite é informar sobre o que aconteceu nesse dia, mesmo que não se passe nada", está simultaneamente a dizer uma coisa ridícula e a dar voz, com honestidade, àquilo que se passou em todos os meios durante 20 dias. Encheram-se páginas e páginas, directos e directos, com o caso Maddie, quando nada havia para dizer. Exploraram-se as "pistas" até à obscenidade , aventando teorias e expondo os "suspeitos" de forma inadmissível. Era, achava-se, o que as pessoas "queriam": cavalgar a emoção do primeiro desaparecimento de criança "vivido" à escala global. Claro que não há um único jornalista digno desse nome que não saiba que tudo isto foi profundamente errado e nada parecido com jornalismo, e nos próximos dias não haverá ninguém, jornalista ou não, digno ou não, que não se junte ao coro e não diga, como se disse das outras vezes, de Entre-os-Rios à Casa Pia, que tanta morbidez e sensacionalismo mete nojo. Mas era enquanto durou, e não agora, que está a acabar, que as manifestações de lucidez e temperança mais eram necessárias. É quando o jornalismo está a morrer que precisamos dos jornalistas. E de um público exigente - já agora.|

Parabéns Sporting!

quinta-feira, maio 03, 2007

Passou um ano...

Enquanto houver amizade...
Pode ser que um dia deixemos de nos falar,
mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas,se a amizade permanecer,
um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
mas, se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e nos
lembraremos para sempre.

(Obrigada à minha família, aos meus amigos, à Maria João pelo carinho neste dia tão importante!)

quarta-feira, maio 02, 2007

A má língua do concurso da SIC*

Rute Coelho **

O Campeonato Nacional da Língua Portuguesa, apresentado por Bárbara Guimarães, estava cheio de calinadas, denunciadas por participantes. Exemplo: o feminino de tecelão ser tecedora. É tecelã, como confirmou a linguista Regina Rocha. E a vencedora do concurso passou à final com uma resposta errada.

O jurista José Pedro Borges, um dos participantes no Campeonato Nacional da Língua Portuguesa, cuja final foi transmitida no sábado [28 de Abril de 2007], pela SIC, queixou-se ao “24 Horas” do «caos completo» que foi este evento apresentado por Bárbara Guimarães. Para o concorrente, o exemplo mais incrível aconteceu «na fase de qualificação, quando a Comissão Técnico-Científica considerou que o feminino de tecelão era tecedeira e tecedora e não tecelã».

O caso motivou «vários protestos enviados por “e-mail” para a Comissão Técnico-Científica do Campeonato».

A avaliar pelo parecer da linguista Regina Rocha, colaboradora do “24 Horas”, os protestos tinham razão de ser (ver a seguir, A professora é que sabe).

Mas houve mais exemplos, muitos deles apontados por ex-participantes e espectadores atentos do concurso no blogue.

Bárbara Guimarães fez a última pergunta a Maria José Santos, a dois minutos de esta ser proclamada «Campeã Nacional da Língua Portuguesa». «O que quer dizer a palavra inconsútil?», perguntou a apresentadora. As hipóteses eram: A. Sem costuras. B. Sem consolo. C. Sem consumo.

A concorrente respondeu, sem hesitar, «Sem consumo». Reclama José Pedro Borges ao “24 Horas” , indignado: «A resposta correcta era «sem costuras». E tem razão (ver a seguir, A professora é que sabe).


«Levam muito a peito a língua»

O director do semanário "Expresso", jornal que foi um dos organizadores do Campeonato, com o "Jornal de Letras", a SIC e a SIC Notícias) desvalorizou as críticas dos participantes.

«A única queixa que me chegou, devido a um suposto erro, foi quanto ao feminino de tecelão. Eu próprio perguntei à Comissão Técnico-Científica e eles responderam que tecelã não estava correcto», afirmou Henrique Monteiro. «E não estava correcto, de acordo com o Grande Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, que era, no concurso, a obra de referência para avaliar a exactidão da grafia das palavras. A outra obra de referência era a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra».

A opinião dos especialistas da língua que faziam parte do júri não contava. «Admito que tenha havido algum erro em centenas de perguntas. Mas o que o blogue de protestos prova é que as pessoas levam muito a peito a língua portuguesa . Ao contrário da Matemática, a língua portuguesa não é uma ciência exacta», comentou Henrique Monteiro.


A professora é que sabe

1) Foram apresentadas como opções para o feminino de tecelão as seguintes palavras: tecelona, tecelã, tecedeira e tecedora. E foram consideradas correctas duas: tecedeira e tecedora. Ora, das quatro palavras em causa, só a palavra tecelã é o feminino de tecelão (feminino gramatical regular). Existe a palavra tecedeira, mas é o feminino de tecedor. Quanto à palavra tecedora, é um feminino regular de tecedor.

2) O concurso considerou como incorrecta a frase «Ele é distraído, se não parvo», e como correcta «Ele é distraído, senão parvo». Mas a construção correcta é «Ele é distraído, se não parvo.» Neste caso, pretende dizer-se o seguinte: «Ele é distraído, quando não parvo» ou «Ele é distraído, se é que não é parvo».

3) Qual destas consoantes é sonora? F, T ou V? A resposta considerada certa, no concurso, foi F. Mas a consoante sonora é o V (constritiva fricativa sonora). O F é uma consoante constritiva fricativa surda. O T é uma consoante oclusiva surda.

3) Inconsútil significa «sem costura», «feito de uma só peça», «que não se pode fragmentar ou fraccionar», «sem falha», «sem fenda».

* notícia publicada no diário português “24 Horas”, de 31 de Abril de 2007 — 02/05/2007
Sobre o Autor

** jornalista portuguesa